sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O SER HUMANO SEMPRE ESCREVEU


As primeiras expressões gráficas de que se tem ideia são as chamadas pinturas rupestres. São aqueles desenhos feitos com sangue ou tinturas de árvores, encontrados nas cavernas ou em sítios arqueológicos que, conforme os arqueólogos, representavam a realidade dos povos que viviam naquela época. Eram desenhos de animais, de pessoas, de homens caçando, de crianças, dentre outros.

Naquela época, o ser humano não havia desenvolvido uma linguagem escrita formal para poder se comunicar, então, as pinturas rupestres representavam a máxima expressão que eles poderiam utilizar para deixar algum registro que viesse a ser encontrado (ou lido de alguma forma) pelas gerações futuras. Apesar de eles não saberem registrar isso em um alfabeto ou símbolos similares, eles pensavam em alguma forma de comunicação. E o que eles desejavam, aconteceu, pois os estudiosos consideram que esta representação da comunicação dos povos antigos é uma forma de escrita, pela descrição da forma de vida que se tinha naquela época. Alguns desenhos parecem representar os animais predadores que havia no local, outros mostram as plantações que se fazia na época. Ou seja, podemos considerar que estes desenhos contam a história daquele povo, ainda que de uma forma bem singela.

Vamos partir deste ponto remoto da comunicação e pular para outro extremo, que seria a realidade dos meios de comunicação atuais. Ainda hoje, com a quantidade de recursos tecnológicos, formais, idiomáticos, verbais e não verbais, linguagem de sinais, dentre tantos outros, ainda assim, é possível encontrar muitas pessoas que dizem não gostar ou ter dificuldade de escrever. Ou seja, comparemos a diferença abissal que existe entre os dias hodiernos e o tempo das cavernas. Naquelas eras, já havia alguém que usava tinta e desenho para se comunicar. Hoje não é diferente, pois neste momento estou utilizando alguns recursos de comunicação para lhes transmitir algumas informações.

E o que estes dois extremos têm em comum? Bem, posso observar pelo menos um ponto convergente: atualmente, nem todos gostam, se esforçam ou têm facilidade para escrever; naquele tempo, provavelmente, havia pessoas que se destacavam em fazer as pinturas. Inclusive, "análises mais recentes de desenhos em paredes de cavernas na França e Espanha indicam que a maioria das pinturas foi feita por mulheres." (Revista Galileu) Ou seja, sempre há habilidades diferentes que são adquiridas por pessoas diferentes.

E eu fiz toda essa narrativa para fazer aqui uma singela homenagem ao dia mundial do escritor, este trabalhador das letras, esse artesão das palavras, este escultor das ideias, este construtor das paredes literárias. O escritor é aquele que parte de uma folha ou tela em branco e inicia uma obra de arte, tal qual um artista que tem em mente a sua obra e começa a representá-la de alguma forma. Comparo um escritor a um chefe de cozinha, que conhece a exigência de seu cliente e sabe exatamente qual tempero irá usar ao preparar o prato a ser servido. O texto produzido tem por objetivo causar no leitor o mesmo efeito que um prato no cliente: satisfação de uma necessidade.

As pessoas têm necessidade de informação! Porém, não informação pobre de recursos, pobre de conteúdos, pobre de qualidades. As pessoas precisam ser bem informadas, para que possam formar suas opiniões. E, muitas vezes, o que ocorre é que as opiniões acabam sendo deformadas, pois as pessoas são mal informadas.

Um texto bem escrito, com um objetivo original, com ideias espontâneas e desinteressadas, com argumentos verídicos, havendo concatenação de ideias, coesão de parágrafos, concordância verbal e nominal, figuras de linguagem e usando vários recursos linguísticos disponíveis, é totalmente comparado a uma deliciosa refeição na qual foram usados os ingredientes principais, e formas de preparo, além dos mais diversos temperos, cada um deles salientando o sabor ou a textura de determinado alimento, sendo parte muito importante no todo da refeição. O texto é assim, uma refeição de ideias concatenadas, que são absorvidas pela mente e coração do leitor. Tais ideias serão armazenadas e produzirão na pessoa mudanças a partir das reflexões que o texto produzir na alma do leitor. Esse deve ser o interesse principal do escritor: produzir reflexão, imaginação!

E é por isso que o ofício de escrever é algo parecido com isso:

- Primeiro, você diminui o ritmo.
- Segundo, você respira.
- Terceiro, você para.
- Quarto, você reflete.
- Quinto, você concatena as ideias.
- Sexto, você tira conclusões, ou não.
- Sétimo, você expõe o que inferiu.
- Oitavo, você chama o leitor a pensar junto.
- Nono, você instiga o pensamento crítico do leitor.
- Décimo, você sossega, descansa e assiste.
- Após um tempo, volta ao primeiro passo.

Essa rotina de escrita pode ser comparada à rotina do cozinheiro que, ao terminar uma refeição que foi muito bem saboreada pelo cliente, sabe que necessita partir exatamente do ponto inicial da cozinha: escolher novamente os ingredientes e os temperos, e observar com cuidado o modo de preparar a refeição. Disso tudo nascerá uma nova e deliciosa comida. Assim também é o trabalho do escritor: ele vai à caça das ideias, dos assuntos, e passa a refletir em como usará tais recursos para produzir um delicioso alimento para a alma do leitor: o texto!

Parabéns a todos os escritores! Sua missão é muito nobre! Que Deus abençoe a obra de suas mãos!

Helvécio

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